USA: Grand Vegas
Segue-se o Grand Canyon. Toda a gente conhece, toda a gente sabe ou toda a gente ouviu falar. Com metade da idade da nossa terra o Grand Canyon deve ser das coisas mais imponentes que vi na vida. Não é só a cicatriz da América do Norte. É um ecossistema brutal cheio de veados, esquilos voadores, abutres, corvos, condores e turistas. Tem quilómetros e quilómetros de extensão e é passível de ser visitado das mais variadas formas. Ele há quem vá de barco pelos rápidos do rio Colorado, ele há quem vá de parapente, há os que vão a pé e depois há o Nardo.
Na companhia do amigo Miguel, sobrevoei o Canyon num bruto helicóptero às cores. Aparentemente os doidos dos pilotos veteranos do Vietname costumam matar de ataque de coração a turistagem que para ali vai. Mas nós tivemos sorte e calhou-nos um tipo novo sem síndromes de pós-guerra. Ainda assim lá fui eu agarradinho aos joelhos enquanto tremia que nem varas verdes. Pior ainda quando o homem diz que vamos apanhar turbulência. Mas vale mesmo a pena. Recomendo vivamente. Isto sim não tem descrição. Como se diz por aqui, é breath taking.
Enquanto nós visitávamos o Grand Canyon à ricos, o cowboy Bubu e o Sá-Sá decidiram fazer um treking a pé. Imbuído de energia, com certeza adquirida no vortex de Sedona, confiante da sua plena forma física e capacidades desportivas, Bubu avança montanha abaixo. Ele saltitava, trauteava, fotografava e até dançava. Quando voltou para cima, rastejava, praguejava, suplicava e acima de tudo suava. Chegou cá a sentir-se menos cowboy mas imensamente feliz consigo próprio. Isso é que é preciso Lourenço.
Depois do Canyon vem, como não podia deixar de ser, a infame Las Vegas. Construída no meio do deserto do Nevada por mafiosos de Nova York, esta bruta cidade é revestida a neons que anunciam casinos, casas de meninas semi-nuas, hotéis e restaurans. Tudo do mais piroso que existe, mas verdade seja dita, muitíssimo bem conseguido. Cada hotel tem um tema. Todos já conhecemos um bocadinho pelo que se vê na televisão. Mas estar aqui é outra coisa. Entrar numa pirâmide egípcia, para cortar caminho para o centro de Nova York onde atravessamos uma ponte para Paris só para seguir pela Roma antiga. É estupendo. Elas também são todas agradavelmente possidónias num estilo de cabeleireira abastada a mostrar estatuto.
Para facilitar as contas comuns como gasolinas, hotéis e companhia optamos por fazer uma vaquinha. Cada um de nós dá uns trocos, a vaca enche-se de guito e paga cenas ao pessoal. Pois claro que a primeira coisa que fizemos foi ir ao casino meter a vaca a jogar. Tivemos foi imenso azar. Fomos à roleta e apostamos $15 no encarnado. Pois calhou vermelho e perdemos tudo. A vaca está neste momento insolvente somando dívidas brutais ao seu tesoureiro, moi je. Mas ao menos deu para perceber que se bebe à borla durante o jogo. Budweisers para toda a gente e bora lá torrar ordenados. O Conde ganhou $40, o Salvador outros $7, eu perdi $20 e o Bubu vendeu um rim para jogar mais umas mãozinhas.
Fora isto, não há muito mais para contar. Não foi ainda necessário fazer jus ao lema do what happens in Vegas stays in Vegas. Mas isto ainda não acabou e ficamos cá mais uma noite. À boa maneira portuguesa, o tuga já arranjou um esquema para beber barato. Como o gelo é de borla no hotel, já temos a banheira cheia de jola a refrescar. Acompanhado por um arrozinho pré-feito do Wallmart e temos a festa feita.
E assim me despeço. A malta já acordou da sesta e o Bubu está a ficar nervoso que ainda só tirou 453 fotografias hoje. Temos de o ir levar à rua a passear.