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Depois do agradável passeio matinal, seguiu-se uma excursão de navete pelos vales da lua e da morte. Dois desertos que embora não tenham nomes agradáveis, são até pitorescos. Vimos coisas girissimas como pedras, montes grutas e dunas. Tudo muito bonito, tirámos imensas fotografias e espirrámos todos imenso. Eu então era o pior. A principal atração do passeio era o lindo pôr do sol num canion abismal que dava para tirar fotografias espetaculares. Eu tirei umas óptimas amuado atrás do jipe a assoar-me sucessivamente ao mesmo guardanapo imundo. Seguiu-se uma noite febril na qual tenho uma vaga memória de comer esparguete à mão. Uma das principais pontos desta viagem é o famoso salar do Uyuni. O maior salar do mundo com uma extensão de 10.500 quilómetros quadrados. Saídos de Atacama, com o objectivo de alcançar o dito salar, parámos na fronteira com a Bolívia. A fronteira mais surreal da história. Cinco graus negativos, 4.500 metros de altitude, turistas a cair que nem tordos e um bol...

Mochilão: Biciclismo de montanha

Da última vez que escrevi estávamos de partida de Santiago do Chile com destino a Atacama. Escrevi inclusive a bordo de uma interminável camioneta de 24h, onde um hospedeiro indeciso, engraçou com Ximpa. Mas o transporte era super confortável, com sandochas comestíveis e filmes aceitáveis.  O que significa que chegados a San Pedro deparámos-nos pela primeira vez com a verdadeira América do Sul. Estradas pavimentadas é mentira. As casas são feitas de um mix de tijoleira e terracota. Há perros por todo o lado e a iluminação é feita à luz dos telemóveis. Sentimo-nos pela primeira vez os verdadeiros exploradores aventureiros. Tal qual Coronel Tapioca aos saltos na cordilheira. Porém, bastaram 5 minutos para perceber que o coronel está reformado e que de aventureiros temos pouco. Cada esquina tem a sua agência turística. Cada rua, vinte hotéis. Para cada 10 pessoas, 8 são estrangeiros. E em cada esquina há um restaurante com menus em inglês onde somos servidos por Chilenos ...

Mochilão: Santiago del Bus

No rescaldo da Boca, a coisa foi mais calma. Menos incidentes ao nível do crime, mas não menos cultura. Uma simpática tour durante o dia, Bomba de Tiempo (concerto de percussão) à noite. Mimi e Ximpa rebentam nos matraquilhos da discoteca (sim... na discoteca), enquanto Marta quase que chora quando todas as musicas que ela conhece são mixadas com regaton . Wiggle wiggle feat Papi Chulo, entre tantas outras. Do melhor! Mas chegou finalmente a hora de sair de Buenos Aires em direção ao Chile. Uma pizzazinha rápida no restaurante da frente (trouxe-nos alguns flashbacks de alguém na noite anterior a dizer que queria comer uma pizza feita das próprias pechugas ) e siga a marinha. O autocarro, pertencente a um jeitoso simpático, incluía bancos reclináveis, uma refeição de carne de chileno morto, massa da segunda guerra mundial e torta de pastelaria com ovo cozido. Nem a freira que vinha na fila da frente, com todo o apoio que o Senhor lhe deu, conseguiu acabar o pitéu. Mas foi...

Mochilão: Boca

Chegados à minha querida Argentina, fomos recebidos que nem reis. Começou logo com o câmbio no contrabando que nos rendeu 50% mais pesos do que o câmbio normal teria dado. Levei um estalo da Marta quando teci um iluminado comentário (o único que uma pessoa sensata diria nesta altura): "s aímos muito mais pesados do chegámos ". Acho injusto. Na primeira noite, fomos logo bailar um tanguito. Na realidade fomos só beber cerveja numa mesa e ver os outros a dançar. Mas apenas porque o jet lag não deu para mais. Mas conhecendo Buenos Aires de anteriores andanças, com travestis assaltantes e taxistas manhosos, auto intitulei-me "o rei da festa". Levei os meu caríssimos amigos a passear ao bairro de San Telmo, onde vagueamos pela feira que aqui se encontra todos os domingos. Comemos uns brutos choripans (tal como o nome indica: pão com uma bruta salsicha grelhada lá dentro) e finalmente seguimos para a Boca. No bairro de Boca, que já tive oportunidade de descrever ha ...

Mochilão: Mochileiros sin mochila

Depois de anos a apregoar as virtudes sul americanas por essa Europa fora, fui desafiado pelos meus pares a fazer o mochilão. Tradicionalmente o jovem endinheirado, junta os seus pertences numa mochilita e parte em direção ao desconhecido. Atravessa os desertos, montanhas, vales e cidades da Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Digo jovens endinheirados porque são aqueles que tendem a reunir as duas características para uma jornada deste tipo: tempo e dinheiro. Ora apesar da tenra idade, e após um rápido censos na comunidade amiga, concluí que não seria fácil organizar um grupo vencedor. Os que têm tempo, não têm dinheiro.  Os que se encontram com extratos mais completos, é porque desenvolvem algum tipo de actividade profissional. E como tal, não têm disponibilidade de férias para o efeito.  Mas uma pessoa não desiste. E após algum trabalho de reflexão, reuni alguns nomes de possíveis candidatos. Iniciei o processo de entrevistas e balancei o factor compat...

USA: Al Caparras

Ainda em São Francisco, à beira da bicheza na doca número 33, seguem as embarcações para a famosa ilha que marca o centro da baía de São Francisco. Como muitos saberão, a ilha de Alcatraz tornou-se famosa por albergar, durante cerca de 25 anos a famosa prisão com o mesmo nome. Uma espécie de Tarrafal americano. Aqui se despejav a crème de la crème da criminalidade dos anos 40 e 50. Prontificaram nestas celas nomes como Al Caponne, Baby Face Nelson e Robert the Birdman Strout. Gente chiquíssima cuja única maldade que fez foi roubar bancos e matar gente. Vitimas de um sistema intransigente que os alienou. Ou não... Em Alcatraz passaram-se toda uma série de cenas. Começa tudo em 1700 e troca o passo quando os espanhóis descobrem a baía. Já lá tinha passado uma data de malta e ninguém tinha percebido que atrás da ilha havia uma série de coisas. Uns anos mais tarde, o governo da Califórnia decide montar lá uma base militar. Como é caro, transformam-na em prisão. Como percebem que con...