Mochilão: Santiago del Bus
No rescaldo da Boca, a coisa foi mais calma. Menos incidentes ao nível do crime, mas não menos cultura. Uma simpática tour durante o dia, Bomba de Tiempo (concerto de percussão) à noite. Mimi e Ximpa rebentam nos matraquilhos da discoteca (sim... na discoteca), enquanto Marta quase que chora quando todas as musicas que ela conhece são mixadas com regaton. Wiggle wiggle feat Papi Chulo, entre tantas outras. Do melhor!
Mas chegou finalmente a hora de sair de Buenos Aires em direção ao Chile. Uma pizzazinha rápida no restaurante da frente (trouxe-nos alguns flashbacks de alguém na noite anterior a dizer que queria comer uma pizza feita das próprias pechugas) e siga a marinha.
O autocarro, pertencente a um jeitoso simpático, incluía bancos reclináveis, uma refeição de carne de chileno morto, massa da segunda guerra mundial e torta de pastelaria com ovo cozido. Nem a freira que vinha na fila da frente, com todo o apoio que o Senhor lhe deu, conseguiu acabar o pitéu. Mas foi um óptimo tema de conversa com o nosso novo amigo, Ali. O simpático jovem inglês fez-nos a maior companhia durante o controlo fronteiriço. Foram duas horas em pé a ser revistados e snifados por cães, que ao contrário do expectável, estavam-se nas tintas para droga e contrabando. Só não deixam mesmo é passar queijos. "Ai o senhor traz um kilo de coca acondicionado no pacote? Não faz problema, desde que não traga limiano!" E durante tudo isto lá fomos traduzindo e travando amizade com o colega. Pelo menos foi o que eu achei... A versão da Marta é diferente. "Não te calaste um segundo. És um chato!"
De volta à camioneta uma criatura que saiu do cruzamento entre a Lili Caneças e a Vaca que Ri fez os seus avanços à minha pessoa. Eu simpaticamente respondi que preferia menos botox e mais pessoa, ela fez que sim com a cabeça e seguiu. E fora isso, não tivemos mais inconvenientes. E em cerca de 24h, cheios de curva e contra-curva, avançámos pelo meio dos Andes até que chegámos a Santiago.
Santiago é lindo. Mais colonial que Buenos Aires, mas com a mesma vida. Rodeado de montanhas mas a temperatura mais amena. Cheio de jardins, mercados e morros com vistas espetaculares. Só é pena não termos subido a nenhum deles, mas o tempo não estava de feição e o nevoeiro não o permitia. Decidimos que no Chile não íamos ser tão alarves como na Argentina. Comer menos e poupar dinheiro talvez. Ok. Em vez de bifes de 400gr pedimos só 300gr. A Martinha pediu um Baby bife que por si só deixava qualquer bife à café amuado num canto.
A vida de cidade em viagem acaba por ser sempre um pouco parecida. Fomos beber copos com o Ali, fizemos uma tour sinistra que metia mercados e cemitérios (mas muito boa no entanto), e passeamos um pouco pela cidade. Só parámos, claro está para comer mais alarvidades no mercado do peixe. Mariscos, ceviche, licores fortíssimos e cervejas com 7,5%. Claro que uma hora depois estavamos grossos a tentar comprar "míeias eliástiquias para o pié da Mimi".
Agora encontramo-nos num autobus de luxo, que serve sandes comestíveis, mas que cheira a mijo de gato. O hospedeiro é simpático e vai nos explicando o que se passa fora da janela. Já roncámos durante 14h e já só faltam mais 10h até San Pedro de Atacama. Esperemos que quando lá chegarmos o homem já tenha parado de se fazer ao Ximpa.