Mochilão: Mochileiros sin mochila
Depois
de anos a apregoar as virtudes sul americanas por essa Europa fora, fui
desafiado pelos meus pares a fazer o mochilão. Tradicionalmente o jovem
endinheirado, junta os seus pertences numa mochilita e parte em direção ao
desconhecido. Atravessa os desertos, montanhas, vales e cidades da Argentina, Chile,
Peru e Bolívia. Digo jovens endinheirados porque são aqueles que tendem a
reunir as duas características para uma jornada deste tipo: tempo e dinheiro.
Ora apesar da tenra idade, e após um rápido censos na comunidade amiga, concluí que não seria fácil organizar um grupo vencedor. Os que têm tempo, não têm
dinheiro. Os que se encontram com extratos mais completos, é porque desenvolvem algum tipo de actividade profissional. E como tal, não têm disponibilidade de
férias para o efeito.
Mas uma pessoa não desiste. E após algum trabalho de reflexão, reuni alguns nomes de possíveis candidatos. Iniciei o
processo de entrevistas e balancei o factor compatibilidade. "Ai este não
gosto, cheira mal dos pés. Ai este também não, é um chato do pior. Este só
refila, o outro é um mole". (Por outras palavras, meter defeitos nos amigos.)
Após
semanas de estudo juntei o grupo perfeito. A minha querida namorada, que nunca
se chateia com nada (seja subir ao Machu Pichu ou sair até às quinhentas). A
quase irmã Mimi, que se tudo o resto falhar é top para me subir a moral (ri-se
de todas as piadolas parvas que eu digo). E finalmente o granda Ximpa. Também conhecido
pelo Zé Dinâmicas, Senhor do Dancefloor e Rei do Grelhador. Está feito o grupo! Mas
sendo todos nós muito modernos, para não dizer rabos moles
e preguiçosos, optamos em vez de fazer mochilão, fazer um trollão. Para que
levar 20kg às costas quando podemos apenas arrastar um trolley?
Como
todas as outras viagens deste vosso amigo, a coisa começou logo
mal. Voámos directos para Buenos Aires onde ficaríamos hospedados em casa de
amigos. Amigos esses que nos pediram para contrabandear uma série de itens que
abrangiam um vasto leque de cenas. Dos computadores às farinheiras, passando por
maços de euros enroladinhos em elásticos. Até aqui tudo bem. Porém quando
estavamos quase a fazer o check in, o grandioso Ximpa dá pela falta da encomenda. Lá
subornou um taxista, voou até à Estefânia e acabou por chegar a tempo.
Sustos à parte, com mais ou menos turbulência, chegámos numa só peça à terra de
Maradona.