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A mostrar mensagens de 2014

Vou ali e já venho: Chá chega

Já em velocidade cruzeiro, sensivelmente a meio da viagem, demos por nós com um dia para gastar em Kyoto. Uma rápida consulta às quinhentas notas e preparações que tínhamos feito em Lisboa e decidimos arrancar para os arredores da cidade. Mais concretamente para a vila de Arashiyama. Onde não teríamos chegado sem o apoio de uma senhora amorosa na bilheteira da estação, que nos ajudou com os bilhetes. A principal atração desta terra é a conhecida  Bamboo Forest  (ou  Bamboo Grove  dependendo do guia). Caminhos com ar paradisíaco no meio de uma floresta de bambu com dez metros de altura. Ladeado de lindos turistas com enormes objectivas que não saem da frente. O quadro do costume! As carroças típicas deles, puxadas por um chinês de chapéu, são aos milhares. A malta ou se desloca nestes aparatos medievais ou aluga uma bina. A loja estava fechada e os chineses eram ladrões. De maneira que fomos a pé. Graças ao Buda não tivemos muitos inconvenientes. Visitámo...

Vou ali e já venho: Happy new year

Sendo dia de festa em Kyoto, e porque a passagem do ano é o evento mais importante no calendário japonês, as coisas estavam calmas. Acabámos o dia a jantar à grande num restaurante de  teppan yaki  (grelhados japoneses). Tudo muito típico. Não fosse a Bossa Nova que tocava como música ambiente e a empregada que estava genuinamente apaixonada pelo nosso Cristiano Ronaldo. Ao jantar, segue-se o grande evento. A passagem da meia noite. Dita a tradição que em Kyoto, todos se juntam para passar o ano no grande templo de Yosaka. Parece um festival de província português. Centenas de pessoas, barraquinhas com cerveja, música, brindes e o arraial todo montado. A malta escreve uns dizeres pirosos em coraçõezinhos de madeira que deixa lá no templo do Buda. Passeia um bocadinho, come uns  noodles  e está visto. O problema foi que nos afastámos de mais do centro do complexo e já não conseguíamos voltar a entrar. Estavam presentes a módica quantia de 1 milhão de pessoas. E t...

Vou ali e já venho: Extra dong

O quarto dia passado no Japão foi talvez dos dias mais surreais da minha vida. Dia 31 de Dezembro de 2013, prestes a abraçar o ano novo. Aconteceram-nos  um sem fim de coisas estranhas. À Japonês. Acordámos num bruto hotel com uma bruta vista para um bruto lago. Tomámos um bruto pequeno almoço composto por uma mistura bizarra de paios e batatas fritas. E em seguida pagámos uma bruta conta. A minha experiência com pagamentos em Dongs é a melhor. São super correctos e nada aldrabões. Contam sempre o troco à nossa frente como se fossemos miúdos iletrados da selva africana. Mas nunca nos enganam. Pois aqui o que sucedeu foi que o próprio hotel baralhou os papéis todos. Cobraram-nos o dobro do valor do quarto. E estando eu embrenhado em difíceis trabalhos de conversão intercalados pela digestão do paio japonês, não dei pelo extra que tinha sido somado à dolorosa . Escusado será dizer que acabei por cair na real 5h depois. O que deu azo a uma extensa troca de emails...

Vou ali e já venho: Fujísse!

Conforme publicada nos Diários de Viagens a 27/05/2014 Saídos do tradicional pequeno almoço exótico  à la  japonês, fizemo-nos à estrada com destino ao Monte Fuji. Saídos da confusão de Tóquio, o objectivo era descansar qualquer coisinha nas margens do lago Kawaguchi, com vista para a famosa montanha. É de relembrar nesta fase, que nós éramos portadores do famoso JR Pass. O tal bilhete tipo  interrail  para as linhas públicas japonesas. Porém, é nestas ocasiões que surgem as boas armadilhas para turistas. A única linha de acesso ao monte Fuji é de concessão privada e como tal, não se encontra ao abrigo do tal bilhete mágico. Depois de mudarmos de comboio quatro vezes (em estações obscuras com nomes impronunciáveis) lá nos obrigaram a derreter mais 2.000 Yens cada um. Ora os dois bilhetes de ida e volta acabaram por nos custar uma pequena e inesperada fortuna. Com os azeites, enquanto bufava pragas orientais às pessoas que se misturavam à nossa volta, embarcámo...

Vou ali e já venho: from Tokyo with love

Conforme publicada nos Diários de Viagens a 08/05/2014 O segundo dia em Tóquio, terceiro se contarmos com o dia da chegada, foi passado em imensa atividade. Aconteceu de tudo um pouco. Começámos por nos dirigir à estação central de comboios para marcar um bilhete para o monte Fuji. Ficámos uma vez mais surpreendidos e encantados com a eficiência dos funcionários da JR Lines (o equivalente à nossa CP, mas com as consoantes em bico). Uma senhora amorosa e pequenina, daquelas que apetece levar para casa, imprimiu-nos logo o itinerário com as escalas todas. Linhas, horas, estações e tudo e tudo. Encantados da vida, fizemo-nos à aventura que é circular no metro de Tóquio, com o objetivo de visitar o parque de Yoyogi. Chegados ao dito, entrámos pela primeira porta que nos apareceu à frente. Andámos, andámos, andámos. E depois andámos um bocadinho mais. Até que chegámos a um brutal templo, de seu nome Meiji.  Selfie  para cá, I nstagram  para lá, meia dúzia de foto...

Vou ali e já venho: O dia seguinte

Conforme publicada nos Diários de Viagens a 21/04/2014 Acordados por volta das cinco da manhã, repletos de uma combinação estranha de sono e energia, fizemo-nos à estrada. Cheios de sacos de plástico, com sanduíches de uma cadeia de lojas de conveniência, tomámos um agradável pequeno almoço a ver o nascer do sol, no parque Ueno. Como muitos outros turistas antes de mim, tinha uma ideia completamente errada de Tóquio. Imaginava uma cidade encafuada, cheia de prédios atulhados de gente, fumo, carros e confusão generalizada. Não. É uma cidade grande, mas organizada. As ruas são largas e bem iluminadas. Os transportes funcionam como em mais lado nenhum no mundo. Não se vê muito trânsito. E as pessoas são super civilizadas. Numa comparação mal feita, diria que o Japão é uma espécie de Alemanha asiática. Ora o parque Ueno faz jus a tudo isto. É um dos muitos parques XL que Tóquio oferece. Cheios de cãezinhos a pilhas, daqueles que só apetece dar um chuto. Brutais templos e pago...

Vou ali e já venho: Dia 1, Dia D.

Conforme publicada nos Diários de Viagens a 08/04/2014 Dia 1, Dia D. Em jeito de namorado apaixonado, jovem romântico e carinhoso que sou, decidi oferecer à minha mais que tudo, uma viagenzinha pelo Japão. Viagenzinha  fachabor , que a gente andou a calcorrear o Japão de uma ponta à outra - viagenzorra! E ainda por cima, feito estúpido, como o homem quer sempre impressionar, ofereci-me para acartar a mochila dela às minhas costas. Erro... Fica já o aviso que tudo o que vem descrito em baixo é feito com 30Kg de roupa suja e  nécessaires  às costas. Saímos de Lisboa logo a seguir ao Natal. Toda a gente sabe como são os infindáveis almoços e jantares de Natal. Cheios de perus e bacalhaus acompanhados de filhoses e broas castelar. Pratadas e pratadas de açúcar seguidas de gordura, natas, batatas e regadas com uma bruta vinhaça. Todo este   bouquet   de iguarias traduz-se num efeito final. Chegámos a Tóquio, 18h00 depois da partida, envoltos numa nu...

Vou ali e já venho: crónica de apresentação

Conforme publicada nos Diários de Viagens a 25/03/2014 Há coisa de meia dúzia de meses atrás, um bom amigo encheu-me de inveja. Foi viajar com outros amigos, sabe-se lá por onde e conseguiu que lhe publicassem os fantásticos relatos das suas viagens. Claro que fiquei contente por ele. Dei-lhe os parabéns, um abraço, uma palmada nas costas. Mas cá no fundo, no fundo, ser humano invejoso que sou, só pensava "se ele consegue então eu também consigo". Está percebido que eu era daquelas criancinhas mimadas que não podia ver outro miúdo com um brinquedo. Queria logo um igual. Normalmente acabava sozinho, amuado no quarto. Tive sorte, desta vez ninguém me pôs de castigo. E com alguma sorte lá consegui que alguém prestasse atenção às imbecilidades que tenho para contar. Comecei a viajar sozinho, e por sozinho entenda-se sem a família a controlar, acabado de fazer os meus 18 anos. Um puto reguila convencido que é crescido a dar o grito do Ipiranga. Com um grupo de amigos fiz-me...