Vou ali e já venho: Happy new year
Sendo dia de festa em Kyoto, e porque a passagem do ano é o evento mais importante no calendário japonês, as coisas estavam calmas. Acabámos o dia a jantar à grande num restaurante de teppan yaki (grelhados japoneses). Tudo muito típico. Não fosse a Bossa Nova que tocava como música ambiente e a empregada que estava genuinamente apaixonada pelo nosso Cristiano Ronaldo.
Ao jantar, segue-se o grande evento. A passagem da meia noite. Dita a tradição que em Kyoto, todos se juntam para passar o ano no grande templo de Yosaka. Parece um festival de província português. Centenas de pessoas, barraquinhas com cerveja, música, brindes e o arraial todo montado. A malta escreve uns dizeres pirosos em coraçõezinhos de madeira que deixa lá no templo do Buda. Passeia um bocadinho, come uns noodles e está visto. O problema foi que nos afastámos de mais do centro do complexo e já não conseguíamos voltar a entrar. Estavam presentes a módica quantia de 1 milhão de pessoas. E todos eles tentavam ir para o centro.
A entrada principal estava vedada por polícias. O povo não entra. Não há hipótese. Mas o tuga não se deixa ficar. Claro que em dois minutos arranjámos um esquema para entrar pelo lado e voltamos quase até ao ponto de partida. Ainda tive a lata de cravar aos polícias passagem para o cimo da escadaria. Dava uma boa chapa... E eles deixaram.
Passámos a meia noite em grande excitação. Beijinhos e romantismo. Mas quando pensámos melhor no assunto, afinal só tínhamos passado as 3h da tarde em Portugal. Estava na hora de recolher. Comemos o que achávamos que seriam castanhas assadas, mas que na verdade era uma espécie de pão de ló às bolinhas, enfiámo-nos num táxi e fomos dormir.
Ou seja, a verdadeira meia noite foi passada em roncos e suspiros, com um quê de má disposição. Fica a sugestão, se forem passar o ano ao Japão, não misturem o paio do pequeno almoço com castanhas de ló à ceia. Normalmente não dá bom resultado.