Vou ali e já venho: Chá chega
Já em velocidade cruzeiro, sensivelmente a meio da viagem, demos por nós com um dia para gastar em Kyoto. Uma rápida consulta às quinhentas notas e preparações que tínhamos feito em Lisboa e decidimos arrancar para os arredores da cidade. Mais concretamente para a vila de Arashiyama. Onde não teríamos chegado sem o apoio de uma senhora amorosa na bilheteira da estação, que nos ajudou com os bilhetes.
A principal atração desta terra é a conhecida Bamboo Forest (ou Bamboo Grove dependendo do guia). Caminhos com ar paradisíaco no meio de uma floresta de bambu com dez metros de altura. Ladeado de lindos turistas com enormes objectivas que não saem da frente. O quadro do costume!
As carroças típicas deles, puxadas por um chinês de chapéu, são aos milhares. A malta ou se desloca nestes aparatos medievais ou aluga uma bina. A loja estava fechada e os chineses eram ladrões. De maneira que fomos a pé. Graças ao Buda não tivemos muitos inconvenientes. Visitámos o templo de Tenryuji a ponte de Togetsukyo e mais uma série de coisas com nomes impronunciáveis. Ameaçou chover, comprámos um chapéu. Ficámos com fome, fomos almoçar. Não chegou a chover, nunca abrimos o chapéu. Errámos no restaurante e o almoço era incomível!
Foi um dia para esquecer. Desde as bolhas nos pés, até ao desespero que é saber que só se tem um dia para visitar a cidade e que mesmo assim, está tudo fechado. O castelo de Nijo, fechado. O antigo palácio real, fechado. Autocarros à pinha. Multibancos não funcionam. Apre!! Desisto.
Já que a cultura não me satisfez, entreguei-me aos prazeres da loucura capitalista. Ataquei o souvenir. A Marta coitadinha morria de medo. Eu com um ar de louco possesso, comprei tudo desde os quimonos para mim, às vestes de geisha para ela. T-shirts para a família, imanes, postais, jarros de chá, tudo! Perdi a cabeça e até comprei duas lindas espadas samurai que não servem absolutamente para nada se não para fazer inveja aos amigos. Pequeno problema... A viagem ainda não acabou. Acabei a acartar esta tralha toda às costas por esse Japão fora. Bem feita! Da próxima vez não me armo em esperto.
Por fim, o dia acabou como começou. De forma deprimente no First Kitchen (cadeia de fast food japonesa) ao lado de uma criatura que se divertia a sorver o gelo de uma bebida à muito terminada por uma palhinha, praticamente ao nosso colo. Fomos para o hotel, mascarámo-nos de japoneses e fizemos uma ridícula sessão fotográfica enquanto bebíamos chá verde. Rimo-nos que nem uns perdidos. O dia não correu bem mas estávamos felizes. E isso é que importa!
PS: o chá verde era terrível!