Vou ali e já venho: Extra dong
O
quarto dia passado no Japão foi talvez dos dias mais surreais da minha vida.
Dia 31 de Dezembro de 2013, prestes a abraçar o ano novo. Aconteceram-nos um sem fim
de coisas estranhas. À Japonês.
Acordámos
num bruto hotel com uma bruta vista para um bruto lago. Tomámos um bruto
pequeno almoço composto por uma mistura bizarra de paios e batatas fritas. E em
seguida pagámos uma bruta conta. A minha experiência com pagamentos em Dongs é a melhor. São super correctos e
nada aldrabões. Contam sempre o troco à nossa frente como se fossemos miúdos
iletrados da selva africana. Mas nunca nos enganam. Pois aqui o que sucedeu foi
que o próprio hotel baralhou os papéis todos. Cobraram-nos o dobro do valor do
quarto. E estando eu embrenhado em difíceis trabalhos de conversão intercalados
pela digestão do paio japonês, não dei pelo extra que tinha sido somado à dolorosa.
Escusado
será dizer que acabei por cair na real 5h depois. O que deu azo a uma extensa
troca de emails com um cavalheiro muito simpático, nome impronunciável e
vocabulário inexistente. “You
pay more”; “you give back”; “you give NIB”; “you quei, aqui vai”. E
passados três meses lá recebi não só o dinheiro, mas também um pedido de
desculpas acompanhado de um convite para voltar ao hotel e um belíssimo: “you take
care”.
Depois
do check out foi todo um número de
comboios rápidos e menos rápidos. Voltámos a Tóquio e fomos re-encaminhados para
Kyoto. O Shinkasen estava cheio,
logo, entrámos à socapa. Fizemo-nos de turistas burros e conseguimos chegar
sãos e salvos à antiga capital. Aconteceu um bocadinho de tudo nesta viagem.
Inclusive um sismo de 6.0 que eu conto ao mundo ter sentido. A Marta continua a
insistir que eram só gases. Provavelmente derivado ao paio do piqueno almoço. Mas eu insisto que era o
ligeiro balançar das placas tectónicas. Mas não ponho as mãos no fogo
sinceramente.
Em
Kyoto repetiu-se o filme do check in.
Oito mil indicações, mapas e papéis. Lá nos enfiaram num quarto de tatami (chãozinho com um futon). E seguimos para o turismo. Ao
contrário de Tóquio, Kyoto é calmo. O ritmo acelerado de um contrasta com a
pasmaceira do outro. Ainda assim vale a pena passear pelo bairro de Gion (para
visitar as Geishas), pelo downtown e pelos 1.500 templos que se
acumulam nesta cidade.