USA: Al Caparras

Ainda em São Francisco, à beira da bicheza na doca número 33, seguem as embarcações para a famosa ilha que marca o centro da baía de São Francisco. Como muitos saberão, a ilha de Alcatraz tornou-se famosa por albergar, durante cerca de 25 anos a famosa prisão com o mesmo nome. Uma espécie de Tarrafal americano. Aqui se despejav a crème de la crème da criminalidade dos anos 40 e 50. Prontificaram nestas celas nomes como Al Caponne, Baby Face Nelson e Robert the Birdman Strout. Gente chiquíssima cuja única maldade que fez foi roubar bancos e matar gente. Vitimas de um sistema intransigente que os alienou. Ou não...

Em Alcatraz passaram-se toda uma série de cenas. Começa tudo em 1700 e troca o passo quando os espanhóis descobrem a baía. Já lá tinha passado uma data de malta e ninguém tinha percebido que atrás da ilha havia uma série de coisas. Uns anos mais tarde, o governo da Califórnia decide montar lá uma base militar. Como é caro, transformam-na em prisão. Como percebem que continua a ser caro abandonam a ilha. Os índios hippies da altura apanham aquilo vazio e ocupam a cena. Continua a ser caro! Não há electricidade, nem água, nem comida e nem sequer veados. De maneiras que os índios também acabam por abalar. A única utilidade que o gigante calhau tem, é só mesmo a de entreter o tórista. De forma que lá fomos nós fazer a périplo do audioguia. Foi do mais autêntico que há. Prestáveis que são, os tipos disponibilizam a visita em português... do Brasil! Não há descrição possível para o bom que é ouvir o relato do "detenido que istava sendo encácerado numa jaula dji concreto".

Alcatraz é giro, São Francisco é o máximo. As pessoas são bonitas, mas isso não é tudo na vida. Estava na altura de seguir viagem. Decidimos então dar uma de finos e desfrutar dos encantos de Napa Valley. Conhecido como o Wine Country, esta região da Califórnia gaba-se pelos seus inúmeros vinhos e propriedades vinícolas. Portugueses que somos, entrámos nós por ali a dentro, de nariz empinado e convencidíssimos que íamos ensinar toda aquela gente. Todos lambões fomos à primeira winery provar uns brancos mais ácidos que limões, um dos quais Alvarinho. Gostámos e tal mas não ficámos encantados. Mas daí em diante foi sempre a subir. Um almoço inacreditável no Gambrinus lá do sítio, provas de vinhos e uma réplica de um castelo italiano depois, chegámos ao final do dia com o rabinho entre as pernas e a tirar o chapéu aos americanos. Afinal até fazem bem a coisa.

Tem sido tudo espetacular até aqui. Porém já vemos no horizonte o fim das férias. O que significa que começámos desesperadamente a tentar agarrar cada segundo antes que ele fuja. Queremos aproveitar o que sobra de viagem, antes de regressar à labuta do escritório. Por exemplo, ontem fomos a um restaurante recomendado por uma brasileira, o Bacalhau Grill. Acabou por ser um flop com ar rasca no meio de um gueto. Graças à intervenção do Divino Senhor estava fechado. Mas acho que mostra a nossa vontade de por aqui ficar à de eterno. Estamos neste momento a partir uma bruta praia deserta descansados da vida e com o espírito em alta. Já tivemos, claro, os nossos momentos menos agradáveis. O Salvador a roncar, o Miguel a falar inglês e o terrível episódio da intentona do Nardo ao Bubu. Tendo eu dormido mal no chão de uma casa de banho em São Francisco (um mero refugiado da batalha de roncos que se passava naquele quarto), acordei com os azeites. Bubu, naturalmente refilão mas muito amigo do seu amigo, discursava sobre as vantagens e desvantagens da escolha de determinada rua para tomar o desayuno. Irritado com a vida, mandei-o para sítios onde não quero nada que ele vá. Muito menos fazer as coisas que lhe sugeri ir fazer. Mas amigos são amigos e a malta fez as pazes e já brincamos juntos outra vez. Nada a temer.

Esta será com toda a probabilidade a última crónica. De maneira que pedidos especiais é agora. Alguém quer que afogue o Miguel? Ou talvez um vídeo do Salvador a ser assediado por um/uma criatura do dobro do seu tamanho?

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