USA: Cougar Hunting
O
último relato que escrevi terminou à algumas 1.500 milhas atrás, no meio do
deserto do Nevada, mais precisamente em Las Vegas. Ainda nos esperavam horas
infindáveis de estradas sempre a direito. Estradas que se fazem invariavelmente
acompanhar dos ilustres roncos do Salvador. Infindáveis retas maçadoras que têm
sido não só uma constante nesta nossa viagem, mas mais que tudo, têm sido uma
prova de ferro à resistência e bom animo destes vossos amigos.
Em
Las Vegas a malta não vive mal. Mais ainda com os esquemas à tuga que relatei.
No geral as pessoas são simpáticas, prestáveis e tal e tal. Mas é tudo esquema
para nos manter lá dentro em jogo e nos copos. Entenda-se, não é mau... É diferente. O pessoal não está habituado.
Por exemplo, após uma noitada no Caesers
Palace, em que fomos assediados por uma popóta australiana (popóta essa que fez jus ao clichê e achava que Portugal fica na América do Sul), regressámos ao hotel na
maior das boas disposições. Imediatamente após a nossa chegada surge um
fulminante grupo de meninas postas por ordem mas ligeiramente inebriadas.
Ao vislumbrarem o macho latino, imediatamente se dirigem às nossas pessoas na
esperança de talvez conseguirem uns minutos da nossa atenção. Assim foi. Só que
ao deixá-las aproximarem-se, constato que entre as piquenas se encontra uma
senhora com idade para ser minha mãe. É a prova que este meu olhar de
falcão não engana. A dita senhora era de facto mãe de uma das raparigas. Era no
entanto também a menos sóbria e a mais atiradiça do grupo. Desenvolveu
certamente uma paixão pela minha pessoa, como de resto acontece com muitas daquela idade. E seguindo o impulso forte dessa paixão, imediatamente a senhora deu
início à dança do acasalamento. Não lhe dei bola nenhuma obviamente, mas achei
alguma graça ao constante som de desespero das filhas que diziam com certa
repulsa: "Moooom, STOP hitting on guys in front of me!"
Acabávamos
Las Vegas em grande estilo. Miguel, inchadíssimo. Ouvindo na sua cabeça o
ressoar distante dos ecos de um último comentário da pandilha, "I like the
blond one better". Lourenço, a roçar a depressão de só ter 5 fotografias
de Las Vegas (que ainda por cima foram tiradas por mim). E Salvador, como é o seu assente
direito e dever, a roncar. Foi nestes moldes que nos fizemos à estrada com
destino ao belíssimo Yosemite Park. Pelo caminho, apenas uma paradinha técnica no Death Valley. Um agradável e gigante deserto de sal, a 85 metros
abaixo do nível do mar, onde não se passa tola sem ser turistas a tirar fotografias
uns aos outros com 55ºC à sombra. Estava tanto calor que o suor secava mal saía
de dentro de nós. Estávamos impecáveis! Mas só até entrarmos no ar condicionado.
Neste momento abro um parêntesis destinado à família do Salvador: o menino está
bem e de boa saúde. Nada a reportar. Diz que para a próxima vem a pé.