USA: West coast, here we go
Mais
uma moedinha mais uma volta. Isto é como quem diz, passou mais um ano e lá vai
mais uma viagem. Este ano optei por uma estranha combinação de destinos. Na
primeira quinzena de Agosto laureei a pevide pelo sul de França, Mónaco, Saint
Tropez e companhia limitada. Como me senti pobre e miserável, desprovido de
riqueza e estatuto, resolvi vir fazer pirraça dos americanos que em muitas situações
chegam a ser mais rechonchudos do que eu.
Assim
foi que motivado a passar mais um grande verão, parti de Lisboa ao dia 15 deste
mês, na companhia dos meus caríssimos amigos e colegas Salvador, Lourenço e Miguel (mais conhecido por Conde). Tudo gente chiquíssima de boas famílias,
cheios de títulos e brasões. Só lhes faltam é as posses. O que não os impediu de ir passear para downtown L. A, embora não chegasse para virem ao Mónaco.
Saídos
de Lisboa com as expectativas em altas, rapidamente aterramos em Newark (uma espécie de Amadora Nova Iorquina). Aqui, uns cavalheiros
super-simpáticos no controlo fronteiriço interrogaram-nos durante longas e
intermináveis horas sobre as nossas intenções para com a sua nação, presidente
e habitantes. Mas ao fim de um bom bocado, lá nos deixaram passar sem problemas de maior.
No entanto este
vosso amigo foi duplamente interrogado. Tendo assistido a demasiados êxitos de
bilheteira de Hollywood, estava nitidamente à espera da pergunta típica do
business or pleasure? Pois o homem não perguntou nada disso. E eu estava ali à
espera da minha vez, com os calores, os nervos, a pensar em passaportes e
Tailandeses. Só via malta a ser revistada e interrogada. Deu-me para a
nervoseira. O homem manda-me avançar e ainda estava o tipo a dizer "good
m..." já eu lhe tinha mandado dois berros: pleasure, pleasure!
Ele achou
estranho...
A vantagem é que ao obrigar-me a dizer o que faço da vida levou ali
uma formação da Pordata que até andou de roda.
Os
controlos fronteiriços são chatos mas a coisa lá se fez. Se não tivessem sido
estas filas intermináveis no aeroporto nunca teríamos tido o prazer de conhecer
o grande Alberto. Cavalheiro com um ar bestunto, pouco lavado ou instruído, mas
de grande simpatia e enorme coração, Alberto viajava nesse dia em direção ao
Panamá. Parece que tinha arranjado um trabalho na desflorestação de uma
qualquer futura mina de materiais raros. O que levou o nosso amigo Salvador a
desconfiar imediatamente que o rapaz era engenheiro. Embora eu ainda esteja para conhecer um engenheiro que não saiba contar até dez em inglês... Mas seja qual for a sua
ocupação, Alberto é viajado. Tem amigos no "Massachuta" e uma vez até
foi à Suécia. Razão pela qual sabe apreciar a beleza do mundo. Ora vejamos. Ao ver passar
uma anã de 150Kg, Alberto vocifera em alto e bom som: "E ainda dizem que
Deus na existe..." Enfim... Jóia de moço.
Três
aviões depois, lá aterramos em Los Angeles algo fatigados mas com os ânimos em
polvorosa. Lourenço, também chamado de Bubu, constata a ausência da sua
bagagem que afinal de contas tinha vindo de Houston noutro avião. Percalço ligeiro e sem grandes repercussões. Estamos prontos para seguir. E lá arrancamos os quatro para a Avis, convencidíssimos que íamos levantar a
viatura e seguir viagem.
Deves...